ADOLESCÊNCIA E DEPRESSÃO

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ADOLESCÊNCIA E DEPRESSÃO

A Adolescência é marcada pela mudança no corpo e início da entrada no mundo adulto, e é também o momento de elaboração das perdas. O adolescente perde o seu corpo infantil, perde os pais da infância, perde toda a segurança que o mundo infantil traz e ainda tem que se preparar para uma nova fase da vida. Ele não é mais aquela criança que depende inteiramente dos pais, mas também não é ainda um adulto que conquistou sua liberdade. Ele vivencia a fase de desidealização dos pais, ou seja, a visão que anteriormente tinha de que os pais eram um tipo de super-heróis é deixada de lado e os mesmos começam a ser questionados pelos filhos. E pode –se dizer que essa adolescência não é apenas vivida pelos filhos como também pelos pais.  Os pais também vivem essas perdas e devem aprender a lidar com os questionamentos dos filhos. Há também muita resistência por parte dos pais em aceitar o crescimento dos filhos, além da dificuldade em se depararem com o próprio envelhecimento. Os pais devem, nesse momento, acolher seu filho e aceitar que ele não é mais uma criança, mas ao mesmo tempo não exigir dele um comportamento de adulto. Ele ora parecerá uma criança birrenta ora mostrará uma maturidade que nunca ninguém imaginou. O importante são os pais entenderem que haverá essa oscilação e aceitarem os questionamentos como uma fase de amadurecimento. Caso contrário, poderá causar um grande desamparo, pois em caso de necessidade o adolescente não saberá a quem recorrer.

E a depressão? Quando podemos saber que o adolescente está deprimido e quando esta vivenciando a adolescência normalmente?

Primeiro sinal é a relação com o outro. Nós somos seres sociais e necessitamos de interação social. O adolescente precisa encontrar um igual a quem se identifique para dividir as angustias, medos, experiências desse momento tão conturbado. Se ele ficar isolado do meio social, não terá condições de elaborar essas perdas e de saber lidar com os revezes dessa fase, podendo chegar, assim, a um estado de depressão. Mas convém lembrar que momentos de isolamento são necessários para que eles possam vivenciar essas mudanças de modo singular. O que se deve ficar atento é apenas se o isolamento é exagerado. Cabe, portanto, aqui algumas dicas:

  • Os pais devem estar atentos aos seus filhos, não como forma de vigilância extrema, mas de cuidado. Devem estar dispostos a ouvir seu filho em suas angustias e compreender que é uma fase singular e difícil, pois nesse momento ele vai precisar de muito apoio.
  • Os pais devem incentivar o convívio social para que o adolescente possa se identificar com algum colega, inserir no meio social e assim poder dividir os conflitos.
  • A escola também é fundamental nesse processo, pois é lá que o adolescente cria vinculo com alguém sem ser do seu meio familiar, e é onde ele pode encontrar a possibilidade de compartilhar as experiências e, assim, esse momento ser o menos doloroso possível.
  • Sempre esteja disponível para conversar com seu filho, mesmo que ele pareça não querer. Em algum momento ele precisara de você, e ele precisa saber que pode contar com a família.
  • Não o pressione a ter comportamentos que você considera adequados para a idade dele. Cada um tem seu tempo e quando você menos esperar ele estará tendo atitudes tão sensatas quanto as que você tem.

E, para concluir, nunca esqueça de demonstrar amor. Essa é a melhor maneira de criar um ser humano feliz.

– Alessandra Louzada –
Psicóloga

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