GAC, Geely, Changan e GWM: quem são as interessadas nas fábricas da Ford?

GAC, Geely, Changan e GWM: quem são as interessadas nas fábricas da Ford?

Das quatro chinesas cotadas, três já tiveram experiências no Brasil. Mas o cenário agora é outro…

Geely já foi, inclusive, testada por QUATRO RODAS durante sua primeira passagem pelo Brasil. Lembra-se do Geely EC7? Pois bem, o EC7 segue à venda na China e esse da foto é da linha 2021. E com a saída da Ford do Brasil, o enorme complexo industrial da montadora na Bahia ficou vago. Neste momento, ainda não há planos concretos para os mais de 4,7 milhões de m² que incluem fábricas, laboratórios, escritórios e até uma estação para tratamentos de esgotos… Preocupado com os bilhões em subsídios investidos desde a instalação da fabricante na Grande Salvador, o governador da Bahia, Rui Costa, foi ágil ao anunciar negociações com países asiáticos. E sites de notícias revelaram interesse da Caoa em usar a planta baiana em parceria com quatro chinesas: Great Wall, Changan, Geely e GAC. Mas quem são essas empresas?…

Bem, comecemos por esta: Great Wall Motors, no caso, é nada menos que a líder nos segmentos de SUVs e picapes do colossal mercado chinês — que mesmo em crise vendeu mais de 25 milhões de carros em 2020. Está bom pra vc?… A GWM, como é conhecida, chegou até a anunciar uma fábrica no Brasil em 2013, com seus executivos visitando Ribeirão Preto (SP), Guarulhos (SP), Joinville (SC) e, justamente, os arredores de Salvador (BA). Entretanto, os planos, na ocasião, não se concretizaram. A GWM vende SUVs, como o H4 da foto, pela sua marca Haval. Desde então, a marca expandiu sua atuação para locais como a Rússia, onde possui uma fábrica capaz de produzir 150 mil unidades por ano, e ainda na Austrália e Europa Ocidental.

Já a marca ORA corresponde aos elétricos do grupo Henrique Rodriguez.

Enquanto isso, na América do Sul, a GWM está presente em vizinhos como Paraguai, Chile, Uruguai e Argentina, onde tem mais de dez concessionárias. Um dos seus principais produtos na América do Sul é a família de picapes Série P, que almeja ocupar um meio-termo entre picapes (médios e grandes).

Sua patente inclusive foi registrada no Brasil ano passado, e lembra bastante a Hilux Rugged-X australiana. A Great Wall nunca desistiu de se instalar no Brasil e em 2020, ainda buscava meios de se instalar neste país

A Great Wall Série P chegará em breve à Argentina, onde já se encontram em atividades as vendas as picapes Wingle 5 e 6 além dos SUVs H1, H2 e H6. Porém, se a GWM ainda consolida sua expansão internacional, a Geely, por outro lado, já ocupa uma posição de prestígio junto ao mercado automotivo global. E como uma boa corporação chinesa, a marca teve o seu crescimento rapidíssimo: em seus 35 anos foram; de uma simples fabricante de geladeiras a proprietária de marcas como Volvo e Lotus. Assim, a Geely Icon está equipada com filtros de ar que prometem impedir a entrada do vírus Covid-19.

Além das duas e de sua marca homônima, o conglomerado também é dono da malaia Proton e da premium Lynk & Co, que usa a experiência sueca para produzir carros de luxo voltados ao público chinês. Lançamento recente, o Geely Icon teve mais de 30.000 unidades vendidas na primeira semana. Além do design ousado, chamou atenção por ter filtro de ar-condicionado que promete impedir a entrada do vírus Covid 19 na cabine. Mas o motor 1.5 turbo, que atua em conjunto com um sistema híbrido de 48 V, capaz de gerar um total de 190CV de potência e 30,5 kgfm de torque também é um bom argumento.

Geely Preface tem plataforma e motores da Volvo. Mas o motor 1.5 turbo, que atua em conjunto com um sistema híbrido de 48 V, capaz de gerar um total de 190CV de potência e 30,5 kgfm de torque também é um bom argumento. Outra novidade é o Geely Preface, baseado na mesma plataforma CMA usada pelo Volvo XC40 e também com motor 1.5 de três cilindros dos Volvo. Se na Volvo é uma plataforma para compactos, este sedã tem 2,80 m de largura entre eixos, apenas 7 cm a menos que o Volvo S60.

Não se surpreenda também, se a Geely fincar bandeira em solo baiano, já que desde o ano passado há rumores que a fabricante chinesa ensaia seu retorno ao Brasil. Sim, você leu certo: a Geely chegou a vender seus carros por aqui entre 2015 e 2017 por meio do grupo Gandini de Itú, SP, que representa a KIA no País, há décadas.

A SUV Geely Yuancheng FX tem como base o utilitário esportivo Geely Boyue PRO, e chamou atenção pelo seu design inusitado. Segundo o jornalista Fernando Calmon, a ideia da vez era uma parceria com a HPE Automotores, aproveitando a infraestrutura usada na produção de Mitsubishi e Suzuki. Entretanto, a oportunidade de um complexo fabril para chamar de seu, em Camaçari, pode mudar tudo.

Na sua primeira passagem pelo Brasil, a Geely (também é a maior acionista do grupo Daimler) vendeu poucos milhares de carros, principalmente os “quase desconhecidos” sedãs EC7 e o hatch GC2. Isso significa que, o Geely GC2 foi importado do Uruguai e passou despercebido pelo mercado brasileiro.

O SUV CS 15, da Changan, tem motor elétrico de 122 CV de força e pode marcar a volta triunfal da Chana ao Brasil. Lembra-se da Chana?… A marca fabricante daqueles pequenos utilitários que tentou a sorte no Brasil há pouco mais de 10 anos? Pois é, ela é uma das marcas do centenário grupo Changan, fundado em 1862 ainda na era da China pré-revolucionária. O conglomerado ficou no Brasil por dez anos, até que em 2016, houve a falência da importadora Tricos Districar, e a Chana disse adeus… Mas três anos depois, a marca retornou com planos grandiosos, pretendendo, curiosamente, utilizar a antiga fábrica da Ford em São Bernardo do Campo. A ideia era formar uma parceria também com a Caoa e fabricar SUVs menores que os da CAOA Chery e até carros elétricos. Entretanto, ficou por isso mesmo.

E falando em Changan, a Peugeot Landtrek, com lançamento no Brasil previsto para 2022, também foi desenvolvida em joint-venture entre a Peugeot e a Changan.

Lá fora, a marca tem linha completa: subcompactos, peruas, SUVs, sedãs, etc (vários desses com opções de motorização elétrica). Há também a joint-venture Changan-Ford, que fabrica modelos como Focus, Mondeo, Explorer e Edge para a China. Amigos, amigos, negócios à parte. Esse tipo de parceria é a base da última cotada, GAC, que possui acordos de fabricação em solo chinês com Fiat, Honda, Isuzu, Mitsubishi e Toyota.

Esse tipo de parceria é a base da última cotada, GAC, que possui acordos de fabricação em solo chinês com Fiat, Honda, Isuzu, Mitsubishi e Toyota. A GAC GS8 é SUV quadradão, que até lembra um Cadillac. Mas, a sexagenária empresa Changan, também produz linhas próprias sob as marcas Trumpchi, Changfeng e Aion, esta última exclusivamente focada em elétricos. O Aion V é um de seus carros mais recentes e promete autonomia de até 600 km por recarga.

Ao contrário das outras marcas, a GAC sempre teve atuação tímida no exterior, com seus principais mercados além-China sendo o Catar e Arábia Saudita. O grupo decidiu ousar em 2018 e anunciou, para o fim de 2019, o lançamento do SUV Trumpchi GS8 no mercado dos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, entretanto, a guerra comercial entre as duas potências esquentou e, consequentemente, nada saiu do papel…

E para encerrar, a montadora chinesa Great Wall Motors manifestou o interesse de investir no Sudeste do Brasil. Analistas de mercado e economistas enxergam esse fato como uma ótima possibilidade para o Rio de Janeiro, que está sofrendo com desemprego em alta. É em bom momento que a Great Wall Motors (GWM), a maior montadora privada da China, procurou as autoridades brasileiras durante a semana passada com a finalidade de estabelecer uma fábrica de carros elétricos e utilitários leves, na região Sudeste. É o que informa a coluna de Lauro Jardim, em O Globo.

Não era segredo que A GWM estuda o Brasil há dois anos e está à procura de um Estado que ofereça benefícios fiscais, para instalar a unidade. Porém, dentro dessa perspectiva, os analistas de mercado e, igualmente, os economistas vislumbram essa oportunidade como sendo uma ótima possibilidade para o Rio de Janeiro. A referida empresa pretende começar a exportação dos veículos já no próximo ano.

 

Fontes: Quatro Rodas/ Grupo Abril Lauro Jardim / O Globo / Redação Diário do Rio

Textos: Eduardo Passos Marco de Bari / Quatro Rodas / Redação Diário do Rio

Fotos: Geely / Divulgação / Haval / Divulgação / GWM / Divulgação / Revista Quatro Rodas / Internet /                   Reprodução / GAC / Divulgação

Textos e Copy Desk: Theo G Fox – editor da Revista RECREIO EM FOCO Eletrônica

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