O Hawaii é aqui

Uma organização carioca realiza divertidos percursos na orla do Rio com Va’a

Em tempos de pandemia, essa empresa está reforçando os cuidados com as medidas sanitárias. Apesar de a atividade ser realizada ao ar livre, o que reduz as chances de contaminação, todo o material utilizado como coletes salva-vidas e remos é higienizado e o uso de máscara pelos participantes é exigido, obrigatório. Muito bem, e… O que é Va’a?…

É a Canoa Havaiana ou Canoa Polinésia, não importa, são nomes nacionalizados para denominar o esporte, que surgiu na região do triângulo polinésio e originalmente se tornou conhecido como Va’a, Wa’a ou Waka: Va’a é no Tahiti; Wa’a no Hawaii e Waka, na Nova Zelândia.

Como começou?

A iniciativa de proporcionar experiências especiais em alto-mar começou por acaso. Um dos sócios promovia passeios de SUP (Stand Up Paddle) e dava aulas de treinamento funcional. Outro, no segundo semestre de 2020, comprou uma canoa havaiana e começou a fazer passeios com a família e amigos próximos, saindo do Recreio dos Bandeirantes. Aos poucos, o movimento atraiu a atenção de banhistas que ficavam curiosos e pediam “caronas”. Em setembro, o que era só diversão virou negócio com a inauguração da Kanaloa Rio, uma forma de compartilhar as delícias do mar, com quem tem vontade de se aventurar.

Mas o real início, mesmo, se deu há mais de 3.000 anos… Vamos lá: Com a ocupação europeia, em especial no Hawai, a partir de 1820, a canoagem foi preterida enquanto esporte, e essa prática somente voltou à tona ganhando força em 1876. E o primeiro clube de canoas havaiano foi fundado em 1908. De lá pra cá, já na década de 70, o esporte se expandiu através da Austrália e atualmente encontra-se difundido em todo o mundo. No Brasil, essa difusão teve início somente em 2000 e a partir de núcleos no Rio de Janeiro, São Paulo e Santos, que posteriormente vieram a resultar na fundação de novos clubes nestes e em outros estados do país. Atualmente há polos de Va’a no Rio de Janeiro, Niterói, Macaé, Cabo Frio, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Maceió, até em Brasília e várias outras cidades, com diferentes perfis e propostas, mas sempre movidos pelos mesmos valores e princípios que permeiam a cultura e as tradições, em torno do Va’a durante milênios…

Agora, antes de nos candidatarmos a esse prazeroso passeio, que tal entendermos melhor essa modalidade de embarcação?

Pra começar, veremos que a estrutura de uma Va’a, como é denominada pelos polinésios e também, pelos havaianos, é muito simples: a canoa de modelo havaiano, mais utilizada, é do tipo OC-6, sendo OC a referência para Outrigger Canoe e o número ‘6’, com referência à capacidade de remadores. O nome ‘outrigger’ é bastante utilizado nos EUA e em outras regiões, advindo do estabilizador lateral chamado ‘Ama’ que é fixado na canoa por um par de madeiras batizada como ‘Lakos’. Atualmente, essa canoa é feita, artesanalmente, em fibra de vidro, com as dimensões de 14 m de comprimento, 50 cm de largura e, após a montagem pesa aproximadamente 180 kg, o que pode variar de acordo com as técnicas de fabricação e ainda, do acabamento.

E quanto às funções?

É assim, em cada banco da Va’a (canoa) os remadores desempenham funções diferentes, para que a embarcação navegue com estabilidade e sincronia. Os papeis dos remadores recebem nomes diferentes de acordo com sua posição em relação à Va’a. Os nomes a seguir são utilizados em ‘Kona – Hawaii’ e podem variar em outras regiões:

  • BANCO 1: Noho`Ekahi (pronuncia-se: Noh-ho eh-Kah-hee): Também chamado Mua (Moo-uh) que significa frente ou para frente. Também é chamado de ‘Ka`i’ (Kah-ee) (o líder da procissão) e de Hana Pa´a, que literalmente significa, trabalho constante e uniforme. Saibam que, este não é um banco de potência e sim, o que dita o compasso do ritmo. Pode-se saber, instintivamente, como está o ritmo. Ele ainda auxilia o leme desde a proa, especialmente durante bruscas mudanças de direção. O Ka’i deve se manter sempre alerta com o que está à frente; nadadores, pedras, etc. Dependendo do time, Mua também chama as trocas. Pode muitas vezes anunciar mudanças no ritmo, mais rápido ou lento.
  • BANCO 2: Noho`Elua ( Noho Eh-loo-uh): Significa: segundo. Orienta por “coaching” (técnica) o ritmo do 1. Tem muita responsabilidade por manter a sincronia com o número 1 e não comprometer todo o barco. Auxilia nas curvas sendo necessário. Quando a canoa está parada, mantém a mão esquerda no Lako (flutuador) para evitar Huli (batidas no casco).
  • BANCO 3: Noho`Ekolu (Noho Eh-koh-loo): Algumas vezes chamado de Kahea ( Kah-hay-uh) que significa, o anunciante ou o que chama. Em vários times, o Ekolu chama as trocas. É a parte do “motor” do barco com potência. Concentra-se em mover a canoa à frente.
  • BANCO 4: Noho`Eha (Noho eh-hah): Significa quatro ou quarto. É a outra parte do “motor” do barco. Este também se concentra em mover a canoa à frente. Muitas vezes, opera o ‘bailer’ (balde ou cuia) para retirar água de dentro em corridas de longa distância. Com a canoa parada, ele também, põe a mão esquerda no Lako traseiro para evitar Huli (batidas no casco).
  • BANCO 5: Noho`Elima (No-ho Eh-lee-mah): Que também chamado de Pani (Pah-nee) ou leme reserva ou ainda, o leme assistente. Ele mantém os olhos vigilantes na ‘Ama’. Pode ter que sacrificar seu corpo pulando no Lako traseiro para evitar Huli. Pode operar o ‘bailer’ também. É um elemento muito importante, pois, igualmente, ajuda ao leme quando requisitado, usualmente em momentos de grandes ondas. Pode assumir o leme caso o leme esteja incapacitado de lemear ou em caso de homem ao mar.
  • BANCO 6: Noho`Eono (No-ho Eh-oh-no): Ho`okelê ou, simplesmente, leme. Muitas vezes chamado de Papaki`i (Papa-kee-ee) que significa assento chato, no sentido literal mesmo ( tábua reta)! Usa um diferente remo do resto da tripulação chamado, “uli” (oolee). O capitão do barco é o que tem a última palavra a bordo. Este mantém a Tripulação (Poe Wa`a) energizada e focada no objetivo. Deve estar sempre atento a todas as condições que afetam a canoa como: Ventos, ondas, outras canoas.

Estão gostando? Ótimo, então vamos às técnicas:

A técnica de remada havaiana, praticada no Carioca Va’a, é fundamentada em 3 etapas: Alcance, Puxada e Recuperação. O alcance é essencial para um bom rendimento; os braços devem ser esticados e levados bem à frente, girando o tronco sem inclinar o corpo para frente. O remador deve olhar para frente, ficando no ritmo da tripulação. É essencial que todos os remos entrem juntos na água e que o tempo de pá na água seja o mesmo para todos os remadores.

A puxada deve ser firme e sincronizada. A entrada da lâmina na água deve ser suave, evitando espalhar respingos ou bater no casco da canoa. O cabo do remo deve ser mantido na posição vertical, paralelo à canoa. A mão de cima, durante esta etapa, deve estar aproximadamente na altura da testa e imprimir a força necessária para afundar a pá completamente; a mão de baixo deve segurar o cabo do remo alguns centímetros antes da pá e trazer o remo em linha reta, paralela à canoa, utilizando os músculos do ombro e das costas. A cabeça sempre levantada para facilitar a respiração.

Ao chegar próximo à cintura inicia-se a etapa de recuperação, quando o remador deve utilizar todo o “sistema” (mão de cima, mão de baixo, ombro e costas) para tirar a pá da água sem flexionar demais o cotovelo e, em seguida, buscar novamente o alcance máximo para repetir o movimento. Ao sair da água, o remo deve estar leve e ligeiramente virado à frente para menor atrito com o vento. Esta técnica do descanso parece irrelevante, mas com centenas de repetições este pequeno descanso faz uma enorme diferença.

A cadência é outro ponto chave para um bom desenvolvimento da canoa. Ela pode variar de acordo com o perfil da tripulação e condições do mar. Em geral ela deve ser longa, suave e forte. Para mares calmos e distâncias curtas a cadência pode ser rápida e mais curta. Para mares turbulentos e tripulação de maior peso, o ritmo tem que ser cadenciado, com tempo de remo na água suficiente para tirar proveito da força dos remadores.

Apesar de erroneamente se acreditar que as pernas não são utilizadas na canoa, elas são muito requisitadas também. A perna do mesmo lado da remada deve estar ligeiramente à frente, mas mantendo um ângulo de 90º para uma maior aderência com o fundo do barco. Em longas remadas os músculos posteriores da coxa e glúteos são os primeiros a doer. Alongamentos antes e depois da remada, bem como exercícios complementares ajudam no fortalecimento.

As trocas, normalmente a cargo do remador do assento 2 ou 3, devem ser precisas e fortes.  O tom da chamada deve ser seco e forte, a cada 9 ou 12 remadas. A última remada, logo após a chamada da troca. E as três primeiras remadas devem ser feitas com mais potência para não se perder rendimento. Para viradas em boias, “caçadas” laterais do 1 e/ou 2 ajudam nas curvas, principalmente em baixas velocidades. A sincronia deve estar perfeita para a manobra funcionar bem.

Por isso, é importante, antes de praticar, aleatoriamente, procurar uma escola especializada e credenciada junto à Confederação Brasileira de Va’a, como a Carioca Va’a, por exemplo, e ainda, participar de alguns passeios, por que… Quem se apaixonar pela experiência, pode seguir adiante, mas com aulas e muito treino sério. Desde setembro passado, o Kanaloa Rio oferece um excelente passeio em canoa polinésia (Va’a) saindo da Marina da Glória, Lagoa de Marapendi, Quebra Mar da Barra e Recreio. E essa cena se repete cerca de 30 vezes por semana. Sempre ao amanhecer ou ao pôr do sol. O Rio de Janeiro é o Estado, de acordo com a Confederação Brasileira de Va’a, que concentra o maior número de praticantes de canoa havaiana no Brasil. Um esporte democrático e inclusivo, que incentiva o contato com a natureza e acontecem sempre nas mais belas paisagens.

– O Rio de Janeiro é possivelmente o local com mais adeptos da canoa havaiana de toda a América do Sul – explica Daniel Camargo, presidente da Confederação.

Roteiros variados…

A Kanaloa Rio é o único clube de canoa havaiana com diversas bases ao longo da orla da cidade: Marina da Glória, Quebra-mar da Barra da Tijuca, na Lagoa de Marapendi atrás do Rio Design Barra e no posto 12 do Recreio dos Bandeirantes. E o aluno pode remar a cada dia em um ponto diferente, com canoas para 6 ou 4 lugares, ou com um modelo de especial para surf. Tudo para que apaixonados pelo Rio de Janeiro e pela natureza apreciem e vivam o lado ímpar da cidade. E os destinos podem ser muitos: Forte Lage, na entrada da Baía de Guanabara com o Pão de Açúcar de um lado e o Forte Santa Cruz, em Niterói, do outro; as Ilhas Tijucas; o Parque Chico Mendes e praias mais selvagens da Zona Oeste. Os passeios levam, em média, duas horas e incluem paradas para mergulhos em diferentes pontos.

O dia nem chegou e um pequeno grupo já começa a se reunir em um ponto da orla do Rio de Janeiro. Com remos nas mãos, eles se preparam para uma aventura: assistir em alto-mar, a bordo de uma canoa havaiana, ao nascer do sol. O pano de fundo pode ser o Pão de Açúcar, a Pedra da Gávea ou o Cristo Redentor, entre tantos outros. A reação, no entanto, é sempre a mesma. De puro deslumbramento.

– Todo o mundo já viu a beleza do mar a partir da orla. O que oferecemos na Kanaloa Rio é o prazer de descobrir o Rio de um ângulo diferente, olhando do oceano para a terra firme – afirma Raphael Magalhães, um dos sócios.

Para embarcar nessa experiência, não precisa ser atleta. Nem sequer saber remar. Basta escolher um local de partida e subir a bordo. As Va’a (canoas) saem de quatro pontos na orla: Marina da Glória, Recreio dos Bandeirantes, Lagoa de Marapendi e Quebra-mar da Barra da Tijuca. Há ainda a opção de navegar pelo mar de Angra dos Reis, de onde partem embarcações da Kanaloa Rio rumo às praias únicas da Costa Verde. A intenção agora é expandir também para Niterói e Búzios. Toda a experiência é registrada em vídeo e em foto e as imagens fazem parte do pacote.

Os destinos podem ser muitos: Forte Lage, na entrada da Baía de Guanabara com o Pão de Açúcar de um lado e o Forte Santa Cruz, em Niterói, do outro; as Ilhas Tijucas; o Parque Chico Mendes e praias mais selvagens da Zona Oeste. Os passeios levam, em média, duas horas e incluem paradas para mergulhos em diferentes pontos.

Criada no triângulo polinésio, conjunto de ilhas do Pacífico, a canoa Polinésia – canoa havaiana (Outrigger Cannoe) ou Va’a, como também é conhecida – tem um formato peculiar, com um segundo casco que serve de estabilizador e permite a combinação de velocidade com estabilidade. Desenvolvida para ser meio de transporte, ela se tornou ferramenta para uma prática esportiva muito procurada pelas pessoas que gostam de aventura e de ter contato próximo à natureza.

O Rio de Janeiro é o estado, de acordo com a Confederação Brasileira de Va’a, que concentra o maior número de praticantes de canoa havaiana do Brasil. Um esporte democrático e inclusivo, que incentiva o contato com a natureza e acontecem sempre nas mais belas paisagens.

– Aqui, possivelmente, seja o local com mais adeptos da canoa havaiana de toda a América do Sul – explica Daniel Camargo, presidente da confederação.

Quem se apaixonar pela experiência, pode seguir adiante com aulas e muito treino. A Kanaloa Rio é o único clube de canoa havaiana com diversas bases ao longo da orla da cidade: Marina da Glória, Quebra-mar da Barra da Tijuca, na Lagoa de Marapendi atrás do Rio Design Barra e no posto 12 do Recreio dos Bandeirantes. E o aluno pode remar a cada dia em um ponto diferente, com canoas para 6 ou 4 lugares, ou com um modelo de especial para surf. Tudo para que apaixonados pelo Rio de Janeiro e pela natureza apreciem e vivam o lado ímpar da cidade.

– Queremos justamente proporcionar diferentes experiências aos nossos clientes. Um dia ele pode assistir ao amanhecer olhando para o Pão de Açúcar e, no outro, tem a oportunidade de ver o pôr do sol nas águas da Baía da Ilha Grande – conta Nilson Pellegrini, outro sócio da Kanaloa Rio.

Os destinos podem ser muitos: Forte Lage, na entrada da Baía de Guanabara com o Pão de Açúcar de um lado e o Forte Santa Cruz, em Niterói, do outro; as Ilhas Tijucas; o Parque Chico Mendes e praias mais selvagens da Zona Oeste. Os passeios levam, em média, duas horas e incluem paradas para mergulhos em diferentes pontos.

Criada no triângulo polinésio, conjunto de ilhas do Pacífico, a canoa Polinésia – canoa havaiana (Outrigger Cannoe) ou Va’a, como também é conhecida – tem um formato peculiar, com um segundo casco que serve de estabilizador e permite a combinação de velocidade com estabilidade. Desenvolvida para ser meio de transporte, ela se tornou ferramenta para uma prática esportiva muito procurada pelas pessoas que gostam de aventura e de ter contato próximo à natureza.

O Rio de Janeiro é o estado, de acordo com a Confederação Brasileira de Va’a, que concentra o maior número de praticantes de canoa havaiana do Brasil. Um esporte democrático e inclusivo, que incentiva o contato com a natureza e acontecem sempre nas mais belas paisagens.

– O Rio de Janeiro é possivelmente o local com mais adeptos da canoa havaiana de toda a América do Sul – explica Daniel Camargo, presidente da confederação.

Quem se apaixonar pela experiência, pode seguir adiante com aulas e muito treino. A Kanaloa Rio é o único clube de canoa havaiana com diversas bases ao longo da orla da cidade: Marina da Glória, Quebra-mar da Barra da Tijuca, na Lagoa de Marapendi atrás do Rio Design Barra e no posto 12 do Recreio dos Bandeirantes. E o aluno pode remar a cada dia em um ponto diferente, com canoas para 6 ou 4 lugares, ou com um modelo de especial para surf. Tudo para que apaixonados pelo Rio de Janeiro e pela natureza apreciem e vivam o lado ímpar da cidade.

Durante o período de outono, o passeio sai por R$ 105 Reais em qualquer roteiro. Crianças a partir de 5 anos e até 12 anos pagam meia. Melhor que isso… Só no Hawaii.

Aloha!

 

Textos: Quirino Gomes Freire / Theo G Fox

Fotos: Diario do Rio / Kanaloa / Carioca Va’a / O Esporte (canoahavaianacarioca) Hokulea / Waves.com

Fontes: Diario do Rio / Kanaloa / Carioca Va’a / O Esporte (canoahavaianacarioca) Hokulea / Waves.com / Hoa Aloha

Edição: Theo G Fox – Editor da Revista RECREIO EM FOCO Eletrônica

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